ReciclAção 2010
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O evento aconteceu entre os dias 16 e 19 no Expo Unimed e contou com 78 empresas expositoras vindas de todo o Brasil e exterior.
Em sua quinta edição o evento colocou os negócios e conhecimentos em torno da sustentabilidade ambiental como fundamentais para a promoção do bem comum da sociedade
Todos os negócios proporcionados e gerados pela realização do maior evento de reciclagem e preservação ambiental do país não terão o impacto desejado se não promoverem o bem comum de maneira sustentável. Foi essa a conclusão da ReciclAção - Feira Brasileira de Reciclagem, Preservação e Tecnologia Ambiental, evento que iniciou no dia 16 e terminou neste sábado, dia 19, e trouxe para o Expo Unimed Curitiba mais de nove mil pessoas de todo o território nacional para a realização de negócios e discussões de cunho técnico e científicos.
O negócios realizados mais a expectativa pós evento para fechamento das negociações iniciadas na feira, que contou com 78 expositores vindos de todas as regiões do Brasil e até do exterior. A ReciclAção recebeu ainda três eventos técnico científicos simultâneos e confirmou mais uma vez que a reciclagem aliada à tecnologia e preservação ambiental é no mundo um negócio altamente lucrativo, de grande interesse econômico e impacto sócio ambiental, voltado às empresas preocupadas com o desenvolvimento sustentável. E mais do que isso, como o gerente executivo do Banco do Brasil, Maurício Messias frisou em sua palestra de abertura, “não basta praticar a sustentabilidade olhando apenas para o seu jardim, é preciso pensar em algo maior, o que deve ser levado em conta é o bem comum da sociedade”.
O evento que já está consolidado como principal palco para a geração de negócios do segmento no país, agora é consolidado como decisivo no estímulo na conscientização de práticas sustentáveis. A prova de seu sucesso é a aprovação dos expositores. Mais de 60% dos espaços da feira do próximo ano já foram reservados. Valdir Bello, da MonteBello Eventos, comenta que o evento melhorou muito desde sua última edição, porém ainda há muito espaço para crescer. “Curitiba merece, por ser a capital ecológica, que esse evento seja fortalecido através de uma maior participação da indústria e do setor público. Vejo que com uma maior adesão poderemos tornar a ReciclAção referencia internacional no segmento”, avalia.
Avaliação
Os participantes não pouparam elogios ao evento. Washington Souza da Waig Industrial de São Paulo, disse que o desafio que os organizadores abraçaram é de tirar o chapéu, já que o ser humano ainda não tem uma cultura de reutilização. “O valor da feira não está apenas nos negócios que geramos, mas pela presença de jovens que estão em busca de um futuro melhor, isso nos dá a expectativa de que alguma coisa muito boa pode acontecer através das mãos destes jovens”. Para Gerson Luiz Zimmer, da Umwelt biotecnologia ambiental de Blumenau, Santa Catarina, a feira atendeu aos objetivos da empresa em angariar ótimos contatos. “Em 14 anos de trabalho na área, participando de diversos eventos no segmento posso dizer que pelos resultados que tivemos a ReciclAção comparada aos demais está superior em termos de organização, divulgação e público visitante”, comenta.
De acordo com Cláudio Barreto, integrante da comissão permanente da Agenda 21 no Paraná e representante da Ambisol Soluções Ambientais, patrocinadora do evento junto com o Banco do Brasil, o evento está melhor a cada ano. “Precisamos insistir com a questão da reciclagem e preservação ambiental, afinal é uma mudança de paradigma. A minimização da geração de lixo deve ser tornar um conceito enraizado nas pessoas”, defende Barreto. A participação de entidades pública do porte do Banco do Brasil também evidenciam a relevância da ReciclAção para a sociedade. De acordo com o com Arilson Lorensini, agente do departamento de DRS (Desenvolvimento Regional Sustentável) do Banco do Brasil, o evento atendeu os objetivos da instituição em fomentar o desenvolvimento dos atendidos. “As estratégias que trouxemos para a feira puderam ter contatos que permitirão a solução de gargalos da produção, conquista de clientes e o fomento de renda”, enfatiza.
Expositores
Vidro e papel reciclado - Em seu estande o Banco do Brasil trouxe algumas estratégias onde o trabalho da unidade de DRS é desenvolvido. Entre estas estratégias estava a Ferenc Arte
Reaproveitamento de cabos elétricos - A Copel apresentou em seu estande o caminho da energia e as ações de reciclagem e preservação desenvolvidas pela companhia. Entre as ações está o reaproveitamento de cabos e a reciclagem do óleo utilizado nos transformadores. De acordo com Bianca Landuche da diretoria de Meio Ambiente e Cidadania Empresarial da Copel, a feira deu visibilidade as práticas promovidas pelo Programa de Gestão Corporativa de Resíduos, para todos os envolvidos no processo de geração de energia, desde os consumidores, funcionários e colaboradores em geral. “Como uma empresa sustentável e aberta as novas tecnologias a Copel não é responsável apenas pelo processo de geração e transmissão de energia, mas desenvolve pesquisas sobre novas fontes renováveis para geração de energia além da hidrelétrica. Consideramos que a ReciclAção fomenta a discussão de maneira decisiva sobre a sustentabilidade no âmbito estadual e nacional”, destaca Landuche.
Carrinho de catadores elétrico - A Itaipu Binacional participou do evento com seu estande todo construído com materiais reciclados. O destaque ficou por conta dos seus programas de reciclagem e o carrinho elétrico para os catadores de papel. Os veículos substituem as carroças de tração humana ou animal, ampliam a capacidade de carga e reduzem o esforço do catador, tornando o trabalho mais humano e eficiente.
Arte com reciclagem e educação - A diversificação da feira trouxe ainda a participação de um artista plástico com uma exposição sustentável de arte. Silvio Alvarez é o responsável por quadros feitos através da arte de colagens de recortes de revista. São obras com um alto nível de detalhamento que promovem a conscientização ambiental. Segundo o artista, seu trabalho é fundamentado numa conceituação do que é o lixo. “Através da colagem é possível mudar a visão do que é lixo, mostrando o valor que ele tem”. Silvio atende diversas empresas com um trabalho de educação ambiental para seus colaboradores evidenciando a reutilização de materiais e o poder de construtivo que o lixo pode ter. “Quero estender oficinas aos professores da rede pública para mostrar que a colagem seja utilizada como ferramenta didática para a conscientização ambiental”. Quando questionado sobre o evento o artista responde que a dimensão da ReciclAção mostrou ele que está no caminho certo, da sustentabilidade ambiental.
Visitantes - Os expositores também elogiaram a qualidade dos visitantes da feira, que atingiram um público altamente técnico e decisor e também a sociedade em geral que se mostrou interessada na economia que circunda a sustentabilidade. Para o empresário curitibano Moacir Ribeiro, visitante da feira, o tema do evento é de grande interesse mesmo para os empreendendores de áreas alheias a reciclagem. “É importante saber das tecnologias e entender o cenário de reciclagem e preservação que é muito promissor e oferece a possibilidade de você ajudar na construção de um mundo melhor para nossos filhos e netos”, comenta.
Embalagens de lubrificantes - A feira apresentou ainda diversas empresas de soluções e tecnologias. Entre elas estava a Celus Ambiental, que participou do evento para mostrar seu trabalho de coleta de embalagens de óleo lubrificante através de um conceito de logística reversa. Esse material coletado é enviado para uma recicladora parceira e se torna matéria prima para conduítes, canos hidráulicos e de esgoto, além de novas embalagens para os próprios lubrificantes. O trabalho é feito em todos os tipos de geradores, desde postos de combustíveis até concessionárias autorizadas.
Internacional - A empresa francesa Grupo Péna apresentou sua tecnologia própria de compostagem. Trata-se de um processo para a produção de composto higienizado que pode ser usado em diversas aplicações, entre elas a fabricação de combustível de substituição dos combustíveis fósseis e seus derivados. A Lippel, indústria metalúrgica lançou durante o evento um picador a tambor em plataforma roll on/roll off para reciclagem de madeira da construção civil. A tecnologia inovadora utilizada no produto faz com que a separação de grampos e pregos seja feita de maneira totalmente automática. A Associação Fukuoka mostrou o trabalho que realiza com a reciclagem do lixo eletrônico. Ela instalou no evento um posto de coleta de lixo eletrônico e recolheu mais de 250 quilos de celulares, baterias, insumos de informática, entre outros.
A empresa Alto Iguaçu de São José dos Pinhais trabalha com reciclagem agrícola de lodos de esgoto. Segundo o agrônomo Jetro Salvador, responsável técnico da empresa, o produto resultante do processo de reciclagem é um composto orgânico de alto poder nutritivo. “É um produto com grande poder de fertilização e pode ser substituto do calcário, por exemplo, numa lavoura”, comenta Jetro. O Laboratório Teclab expôs em seu espaço seus serviços especializados em bioensaios de ecotoxidade, possibilitando quantificar efeitos tóxicos agudos e crônicos de efluentes domésticos e industriais. A empresa realiza ainda análise de solos ou alimentos, controle de qualidade e higienização de produtos, entre outros. Outro destaque da feira foi a empresa de trituradores Marquitec. Os equipamentos podem triturar desde pneus até geladeiras inteiras. Os resíduos mais densos são reduzidos para que seja possível sua destinação correta, inclusive como matéria prima reaproveitamento em outros produtos.
Eventos Paralelos
Durante os quatro dias da ReciclAção aconteceram três eventos paralelos: Seminário de Reciclagem Agrícola: Resíduos de origem Urbana, Industrial e Rural, realizado pela Associação dos Engenheiros Agrônomos do Paraná, (AEAPR-Curitiba). Terceiro Seminário de Saneamento Ambiental, promovido pela empresa curitibana 3R Ambiental. II Simpósio de Gestão Ambiental e Mudanças Climáticas (SIMGAMC), realizado pelo programa de Mestrado Profissional
De acordo com o presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Paraná, regional Curitiba, Luiz Lucchesi, responsável pelo Seminário de Reciclagem Agrícola: Resíduos de origem Urbana, Industrial e Rural, o evento atendeu todos os objetivos, principalmente a transparência de temas polêmicos de grande complexidade técnica, científica e política. Entre eles a destinação da reciclagem agrícola de águas de esgoto (lodos). “Sobre a ótica prática a aplicação dos temas discutidos trarão grandes benefícios para a agronomia paranaense e brasileira pela redução do custo de produção em função da substituição parcial de fertilizantes por resíduos e também muitos dividendos ao meio ambiente pela despoluição de bacias hidrográficas através da eliminação de passivos ambientais existentes em razão do acúmulo desses resíduos em aterros sanitários e depósitos de desejos e lodos de esgoto na beira de rios”, enfatizou Lucchesi.
Lucchesi acrescentou ainda que temas discutidos são objetos da agenda parlamentar predefinida pelo CREA-PR, propostos pela AEAPR-Curitiba e deverão ser objetos de proposta aos próximos candidatos ao governo do estado do Paraná. “Neste atual momento em que está sendo votada a política nacional de resíduos sólidos no Brasil, as discussões do segundo seminário se traduzirão em água mais limpa, recuperação de solos degradados, produção de alimentos seguros e mais saúde para todos. Na terceira edição deste seminário tudo isso será cobrado dos governantes”, finalizou Lucchesi.
De acordo com Fabiana Dian Ferreira da 3R Ambiental, organizadora do evento paralelo, III Seminário de Saneamento Ambiental, o evento cumpriu com êxito sua função de gerar troca de experiências entre os participantes. O número de inscritos surpreendeu a organização, “em 2009 foram 35 e nesta edição 98 participantes”, comenta Fabiana. Entre os temas de destaque foram discutidas as questões de sustentabilidade ligada a logística reversa, mostrando que uma empresa pode ser sustentável e gerar lucro ao mesmo tempo.
Fabiana destaca que as empresas geradoras de resíduos precisam ter controle do processo produtivo para ser sustentável e gerar lucro através da utilização das tecnologias disponíveis na redução dos custos de produção. “O evento serviu para abrir o conceito de sustentabilidade e fazer a indústria parar de pensar apenas no lucro e pensar que o meio ambiente não é despesa, pode haver um retorno considerável com sua preservação”, salienta Fabiana. O Seminário terminou com uma visita técnica a uma estação de tratamento de efluentes com reuso na empresa Global Tecnologia Ltda.